Os pesquisadores constataram que persiste praticamente intocável a responsabilidade feminina pelo chamado trabalho doméstico. Isso ocorre independentemente da idade, da posição na família (chefe ou cônjuge), do estado da ocupação ou da classe social. Em 2008, 86,3% das brasileiras com 10 anos ou mais afirmaram realizar afazeres domésticos, contrapostos a 45,3% dos homens. Além desta diferença, enquanto as mulheres despendiam em média 23,9 horas por semana, os homens gastavam 9,7 horas.
"A forte ocupação com atividades do lar influencia as possibilidades de entrada no mercado de trabalho, de conseguir emprego e a ocupação de postos mais precários no mercado. Influencia também nas possibilidades de ascensão no emprego, pois as mulheres têm, de fato, menor disponibilidade para participação", afirma Natália de Oliveira Fontoura, pesquisadora do Ipea.
Uma vez ocupadas, as mulheres trabalham proporcionalmente mais em posições precarizadas. Em 2008, 42,1% das mulheres ocupadas com 15 anos ou mais estavam em ocupações consideradas precárias, ou seja, sem carteira assinada e sem remuneração.
É no setor agrícola que essas condições são mais intensas e evidentes. Em 2008, 29% das mulheres trabalhadoras do campo não recebiam remuneração. Já no setor urbano, a expectativa é melhor devido ao aumento crescente do grupo de profissionais liberais, a exemplo das jornalistas, advogadas e médicas. “O fator discriminação é ainda inegável. Há muito o que ser feito no Brasil. É preciso haver uma conscientização de que a questão da reprodução humana não é responsabilidade apenas da mulher, e sim, de toda a sociedade. Para isso, as políticas públicas tem papel fundamental no estímulo a inversão do trabalho doméstico e do mercado”, afirma Natália.
O estudo chamou a atenção para as transformações ocorridas nas últimas décadas, nos aspectos sociais e econômicos com impacto diretamente no mercado de trabalho. “As famílias têm diminuído de tamanho. O arranjo mais comum ainda é o casal com filhos, contudo sua importância vem caindo ao longo dos últimos anos, passando de 62,6% em 1993 para 48,2% em 2008. Paralelamente, ganham importância as famílias monoparentais e unipessoais, e ainda que timidamente, vem crescendo o número de casais sem filhos”, disse a pesquisadora.
Em 1998, 52,8% das brasileiras com 15 anos ou mais estavam ocupadas ou à procura de emprego, percentual que passou para 57,6% em 2008. No mesmo período, a taxa de participação dos homens flutua de 81% para 80,5%. Ou seja, como reflexo das demais transformações, as mulheres vêm ganhando o mercado de trabalho, o que representa um avanço importante, tendo em vista as possibilidades que isto traz para a conquista da autonomia e para a realização pessoal.
O Ipea também trata do chamado ‘Teto de Vidro’. “O termo é utilizado para mostrar o tratamento desigual entre mulheres e homens nas empresas privadas. É aquele teto que a mulher nunca vai ultrapassar e ao mesmo tempo não é percebido”, disse a pesquisadora. O termo refere-se à baixa representação de mulheres em cargos de comando das organizações. Esse problema também se estende ao setor público, segundo a pesquisadora. “Em novembro de 2008 as mulheres representavam 45% das pessoas nomeadas no nível I (mais baixo), mas apenas 20% no nível 6 (mais alto)”, disse.
Educação - O estudo constatou ainda que a população está mais escolarizada, principalmente as mulheres. Na média: em 1998, as mulheres com 15 anos ou mais tinham, em média, seis anos de estudo; dez anos mais tarde, chegaram a 7,6 anos, comparados a 7,2 anos entre os homens, que tinham 5,8 anos em 1998.
Em 2008, 56,8% das jovens de 15 a 17 anos freqüentavam o ensino médio, comparados a 44,4% dos jovens do sexo masculino. No ensino superior, a taxa de freqüência das mulheres de 18 a 24 anos era de 15,7% e as dos homens, de 11,8%. No total de estudantes que freqüentavam este nível de ensino, para cada 100 alunos havia 133 alunas no ano de 2008.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias - 08/03/2010
Link: http://www.agenciasebrae.com.br/noticia.kmf?canal=214&cod=9635760