ANDE - Agência Nacional de Desenvolvimenteo Microempresarial



Perguntas Microfinanças

Microfinança (Fonte: MixMarket.com)

1.O que é Microfinanças?

Microfinanças é uma ferramenta que ajuda no fortalecimento e estruturação de pequenas atividades produtivas. Não se limitando ao empréstimo de dinheiro. Hoje é um meio que inclui diversos tipos de serviço, como poupança, seguros, crédito, entre outros produtos. Essa variedade se faz necessária, pois o público que busca essa solução precisa de muitas alternativas de apoio.

Apesar da área de microfinanças ter uma lista abrangente, contendo vários produtos, é o microcrédito que, sem dúvidas, obtém o maior destaque. Desde a década de 80, ele é praticado em vários pontos do planeta. Diferencia-se da forma tradicional de empréstimo por ser desburocratizado, com uma taxa de juros menor do que o cobrado nas instituições financeiras, e por ser direcionado para servir a uma população cuja fonte de renda é o setor informal.

Com o crescimento da procura, a estratégia foi mudada do desembolso rápido de empréstimos subsidiados para construção de instituições locais sustentáveis, que servissem aos pobres. Com isso o microcrédito, que já tinha um bom desempenho ajudando as famílias que o procuravam, passou a ser a melhor opção para os que desejavam se desenvolver. O mais novo desafio do setor é encontrar meios confiáveis e eficientes para oferecer um cardápio contendo mais produtos de microfinanças.

2. Quem são os clientes de microfinanças?

Os clientes que buscam microfinanças como uma solução para investir e melhorar seu microempreendimento são, em sua maioria, pessoas de baixa renda que, por esse motivo, não tem acesso às instituições financeiras formais. (Essas Instituições Financeiras restringem os seus clientes, tornando, assim, mais caro o planejamento financeiro informal, que ainda tem a possibilidade de não atender adequadamente certas necessidades.) Normalmente essas pessoas são autônomas e em muitos casos seus pontos comerciais são estabelecidos em suas próprias casas.

Nas áreas rurais, eles são geralmente pequenos fazendeiros, enquanto outros praticam pequenas atividades que geram renda. Como por exemplo: processo de alimentos e pequeno comércio. Enquanto nas áreas urbanas, as atividades são mais variadas. O microempreendedor pode ser sapateiro, prestador de algum serviço, artesão, vendedor ambulante, entre outras funções. Falando de uma forma geral, financeiramente, os clientes de microfinanças são pobres e não-pobres vulneráveis que possuem uma fonte de renda relativamente estável.

À medida que os serviços microfinanceiros vão ficando mais abrangentes, cresce o mercado e consequentemente o número de clientes em potencial também se expande. Um exemplo dessa afirmação são fazendeiros que precisam de um lugar seguro para guardar dinheiro, proveniente da colheita, pois dele precisa usufruir por muitos meses. Nesse caso, o produto indicado para as necessidades do produtor é a poupança, pois nela poderá deixar seu dinheiro reservado tranquilamente.

3. Como o modelo de microfinanças pode ajudar pessoas de baixa renda?

As experiências mostram que microfinanças pode ajudar os mais necessitados através do aumento da sua renda, da criação de um negócio viável, e a reduzir sua vulnerabilidade aos choques externos. Pode ser também um poderoso instrumento de auto-capacitação dando a essas pessoas, especialmente mulheres (por focarem o desenvolvimento da família), a se tornarem agentes econômicos de mudanças.

Serviços microfinanceiros são um importante agente de combate contra os muitos aspectos da pobreza. A forma como ele ajuda, atinge diretamente na geração de renda da família: o negócio. Com esse auxílio, o empreendimento cresce e consequentemente a qualidade de vida da família também. Dessa forma os que moram ali conseguem se beneficiar da segurança de ter alimento, educação para os filhos, entre outras coisas. Em especial para as mulheres que, em muitos contextos, são excluídas dos espaços públicos. Muitas instituições de microcrédito têm preferência por clientes mulheres, pois estas, segundo estudos, são mais responsáveis com as obrigações de casa e revertem mais em benefício da família.
Estudos recentes apontam que as pessoas que se encontram próximos a linha da pobreza estão mais vulneráveis a doenças, condições climáticas, roubos, entre outros problemas. Essas fatalidades podem criar um buraco nos seus recursos financeiros, que já são limitados. O papel do serviço de microfinança é justamente esse: impedir que a família afunde ainda mais na pobreza.

4. Quando é que microfinanças NÃO é um instrumento adequado?

Cada vez mais microfinanças se refere a um leque de serviços microfinanceiros – poupança, empréstimos, seguros, transferência de dinheiro do exterior, e outros produtos. É difícil imaginar que hoje possa existir uma família no mundo para a qual algum tipo de serviço financeiro formal não poderia ser útil.

5. Por que as IMFs cobram taxas de juros tão elevadas para a classe C,D e E?

Prover serviços financeiros às pessoas pobres é bastante caro, especialmente em relação ao tamanho da transação em questão. Esse é um dos motivos mais importantes por quais os bancos não trabalham com pequenos empréstimos. Pequenos empréstimos produtivos e orientados.

6. O que é uma Instituição Microfinanceira (IMF)?

É uma organização que oferece serviços financeiros principalmente a pessoas de baixo poder aquisitivo. A maior parte das IMF’s são organizações não-governamentais comprometidas que dão assistência à população carente.

7. Microfinanças pode ser um campo rentável?

Sim, ela pode ser rentável. Dados do “MicroBanking Bulletin” relatam que 63 das maiores IMFs do mundo tiveram uma média de 2,5% de retorno do total dos seus ativos, depois de se ajustarem à inflação e tirarem os programas de subsídios que possam ter recebido.

8. Qual é o papel do governo em apoiar microfinanças?

Até pouco tempo atrás, muitos governos achavam que era sua responsabilidade gerar “financiamentos de desenvolvimento”, incluindo programas de crédito para os desprovidos de recursos. Porém nem todos os governos possuem essa iniciativa, podendo gerar conflitos internos quando necessário um governo apoiar microfinanças.

9. Qual é o papel do Banco Central em apoiar o desenvolvimento de microfinanças?

Muitos acham que o papel mais importante do Banco Central no apoio ao desenvolvimento de microfinanças é criar um tipo institucional alternativo que permita ONGs financeiras, cooperativas de crédito, e outros intermediários baseados na comunidade a conseguir licença para oferecer serviços microfinanceiros ao público em geral e obter fundos de investidores. Em alguns países esta pode ser uma estratégia apropriada.